É engraçado o quanto as pessoas acham que sabem sobre minha vida, o que devo ou não fazer, o que é certo ou errado, parecem que querem saber mais do que eu. Julgam minhas atitudes através do que elas consideram moral ou imoral, acreditam que a opinião delas está acima da minha.
Quando corto o cabelo, dizem que ele ficava melhor quando estava comprido; se engordo alguns quilos, mandam eu me cuidar; estou solteira e insistem que eu devo encontrar alguém para namorar. São tantos exemplos, que me sinto cansada só de pensar.
É como se cada decisão que eu tomar não será boa o suficiente, sempre vai ter alguém para me julgar e tentar me convencer de que estou errada. Não consigo entender essa insistência em me fazerem acreditar que sou insuficiente. Não tenho nada de bom? Será que sou uma fracassada?


Era Carnaval, mas eu queria apenas ficar em casa e dormir. Por ser feriado, eu precisava descansar e repor as energias. Liguei o ar-condicionado e me enrolei numa coberta. Deite-me na cama na sexta à noite querendo acordar apenas na próxima quarta-feira de manhã. Mas algo me fez levantar...
Era Carnaval, então eu precisava sair da rotina, festejar e me divertir. Me levantei sem saber ao certo aonde iria, me fantasiei e coloquei uma máscara, queria ser outra pessoa neste dia.



Querido,

Já fui uma menina boba, dessas que acreditam em príncipes encantados e contos de fadas. Tive boas experiências, amores que acreditei que seriam para sempre. Sempre que conheço alguém, fico na expectativa de que seja o meu “para sempre”. Conheci homens interessantes, em todos os aspectos, seja na personalidade ou no modo de lidar comigo; seja no afeto ou no sexo. Mas todos foram passageiros.
Eu sei que, quando te encontrar, algo vai me mostrar que você é o homem ideal, o homem pelo qual eu sempre esperei. Não espero alguém perfeito, pois sei que isso não existe, apenas espero você com todas as suas imperfeições. Espero que você também aceite os meus defeitos e as minhas chatices.
Tomara que a espera não seja longa, pois temo deixar de acreditar no amor antes de você chegar. As decepções amorosas foram fazendo com que eu me tornasse mais cética e cada vez tem sido mais difícil acreditar que um dia você vai chegar.


Você queria um relacionamento e eu ainda não estava preparada para isso. Ou, talvez até estivesse, mas você surgiu no momento errado ou não fosse a pessoa certa pra mim. Quando nos conhecemos, eu estava indo embora, estava prestes a mudar de emprego e de cidade. Você foi gentil, tentou me convencer a ficar, mas não havia mais volta. Eu precisava de um recomeço, você demonstrou entender e ainda assim, queria estar comigo. Mas eu não podia me arriscar em um namoro à distância, eu precisava de contato e de afeto.


Sinopse:

Todas as manhãs Rachel pega o trem das 8h04 de Ashbury para Londres. O arrastar trepidante pelos trilhos faz parte de sua rotina. O percurso, que ela conhece de cor, é um hipnotizante passeio por galpões, caixas d’água, pontes, casebres e aconchegantes casas vitorianas.
Em determinado trecho, o trem para no sinal vermelho. E é de lá que Rachel observa diariamente a casa de número 15. Obcecada com seus belos habitantes – a quem chama de Jess e Jason –, Rachel é capaz de descrever o que imagina ser a vida perfeita do jovem casal. Até testemunhar uma cena chocante, segundos antes de o trem dar um solavanco e seguir viagem. Poucos dias depois, ela descobre que Jess – na verdade Megan – está desaparecida.
Sem conseguir se manter alheia à situação, ela vai à polícia e conta o que viu. E acaba não só participando diretamente do desenrolar dos acontecimentos, mas também da vida de todos os envolvidos.

Autora: Paula Hawkins
Páginas: 378