A professora de Matemática havia sugerido que Sophia fosse monitora de Arthur, já que ele estava com dificuldade em todas as disciplinas. Sophia não aceitou muito bem a ideia, achava que ajudar o garoto pudesse atrapalhar seus planos e seus estudos, já que acreditava que ele não ia colaborar com a monitoria e apenas faria com que ela perdesse seu tempo; mas por outro lado, ela não podia recusar uma sugestão feita pela professora, ainda mais se isso a ajudasse a conseguir créditos no colégio. Assim decidiu que no dia seguinte aceitaria essa difícil missão.
Arthur não conseguia aceitar que precisaria da ajuda de uma garota, principalmente essa sendo Sophia, que era a única no colégio que não se importava com ele. Seu orgulho era tamanho que preferia reprovar do que aceitar que ela, justamente ela, o ajudasse. Mas no fundo sabia que não teria outro jeito, teria que aceitar.




O relógio despertou às 6h30min e Sophia acordou pronta para mais um dia de aula. Era terça-feira e naquele dia ela teria prova de Literatura. Havia escolhido um livro da literatura clássica brasileira para fazer a prova, assim já se preparava para os estudos do vestibular. Ela acordava todos os dias pensando em como seria seu futuro. Queria cursar Medicina, mas tinha medo de não conseguir passar e isso a assustava muito.
O despertador de Arthur já havia tocado algumas vezes, ele ouvia o som do alarme, mas voltava a cochilar logo em seguida. Não estava com vontade de se levantar, estava com preguiça de ir que ir para o colégio, ainda mais por saber que teria prova de Literatura naquele dia, e ele sequer havia lido um livro por completo nos últimos meses, assim sequer sabia como faria a prova, e preferia continuar dormindo.




Sophia e Arthur estudavam juntos desde crianças, mas se falaram poucas vezes, não tinham qualquer tipo de proximidade um com o outro. Ele era daquele tipo de garoto que gostava de chamar a atenção, era popular e conquistava todas as meninas que estavam ao seu redor. Ela era uma garota simples e estudiosa, que se preocupava mais com os outros do que consigo mesma.
Sophia não gostava muito de Arthur, achava o rapaz muito egoísta e mulherengo. A impressão que tinha era que ele se importava mais com quantas mulheres poderia ficar do que com seus estudos e seu futuro. E ela não gostava disso, não gostava da forma como ele agia. Achava que um dia ele se arrependeria de ser assim. E achava errada a forma como ele tratava as mulheres. Ficava inconformada por vê-lo tratá-las como se elas não tivessem importância, como se só existissem para servi-lo.
Arthur admirava Sophia, achava que ela era diferente de todas as outras mulheres que ele já havia conhecido. Admirava sua beleza e sua inteligência, mas não entendia os motivos pelos quais ela nunca se interessou por ele, por isso achava que havia algo de errado na garota. Ele conseguia conquistar todas as mulheres, menos Sophia, e isso o intrigava.