Apenas 24 horas para tudo acabar, o que fazer? É correr contra o tempo para fazer com que o fim valha a pena. Pedir perdão, pelos erros cometidos e pelas falhas inevitáveis, saber que disse tudo o que podia. Dar um último abraço nas pessoas que são importantes e se despedir de cada uma delas, mostrando o quanto são importantes para si. 
Aproveitar ao máximo os últimos momentos, sabendo que fez o seu melhor e tentou ser uma boa pessoa nesse mundo tão complicado. Rir até a barriga doer e lembrar de cada pessoa que fez parte da sua vida.



Ela tinha consciência de que a maioria das pessoas eram passageiras, que ficavam na sua vida por pouco tempo e logo iam embora. Tinha muitos conhecidos, pessoas que conversava todos os dias, mas apenas assuntos banais, sem muita profundidade. Ela era daquelas que tinha dificuldade em confiar no outro, não falava muito a respeito de si, apenas o que fosse necessário, não gostava muito de mostrar quem era, preferia ser alguém reservada, demorava para confiar, mas quando isso acontecia, era para valer.
Ela tinha poucos amigos, mas eram pessoas especiais e ela sempre agradecia por tê-los em sua vida. Eles sabiam de cada detalhe de sua vida, de cada qualidade e defeito seu, e mesmo com suas imperfeições, ainda permaneciam ao seu lado. Ela sabia que era uma dádiva ter amigos e pessoas com quem pudesse contar, mas em especial, ela agradecia por "sua pessoa".


Ela é uma leitora nata, nutre uma paixão pelos livros desde criança, estava sempre tentando incentivar as pessoas ao redor para o amor pela leitura, contando histórias e compartilhando seus sentimentos em relação aos seus personagens favoritos. Vivia no mundo da lua ou “no mundo da literatura”, na sua mente criava histórias e experiências vívidas com esses personagens. Por mais que amasse o mundo de faz-de-conta, ela sabia valorizar aquilo que não estava nos livros. 


Querida Lenise,

Não sei se minhas atuais atitudes vão te deixar orgulhosa ou se você vai se decepcionar comigo. Juro que estou tentando fazer o melhor que posso, mas às vezes sinto que não sou capaz. Já conquistei muito do que havíamos planejado, mas ainda falta muito a ser realizado. Espero que você esteja colhendo os frutos que eu plantei e que eles sejam mais do que suficientes pra você.


Era Carnaval, mas eu queria apenas ficar em casa e dormir. Por ser feriado, eu precisava descansar e repor as energias. Liguei o ar-condicionado e me enrolei numa coberta. Deite-me na cama na sexta à noite querendo acordar apenas na próxima quarta-feira de manhã. Mas algo me fez levantar...
Era Carnaval, então eu precisava sair da rotina, festejar e me divertir. Me levantei sem saber ao certo aonde iria, me fantasiei e coloquei uma máscara, queria ser outra pessoa neste dia.



Eu cresci e tantas coisas mudaram. Sempre fui muito ingênua, acreditava em contos de fadas e no bem das pessoas. As decepções que encontrei pelo caminho, fizeram com que eu mudasse meus pensamentos. Não sou mais tão boba, e vejo tudo de forma diferente. Deixei de acreditar no príncipe encantado, mas agora também desacredito do amor. Eu sofria por ser tão imatura e confiar tanto nas pessoas, mas agora sofro por ter me tornado mais fria e não conseguir mais confiar.


Tudo começou há 5 anos atrás, foi por acaso que eles se conheceram, se encontraram em uma cafeteria, e como não havia mais lugares disponíveis, tiveram que se sentar lado a lado. Ela não estava em um bom dia, estava estressada com problemas do trabalho, havia se desentendido com uma amiga e só precisava de um tempo sozinha e de uma xícara de café. Ele estava apressado, estava atrasado para uma reunião, mas como havia passado o dia todo com sono, resolveu passar na cafeteria, precisava de uma xícara de café para despertar.
Nenhum deles queria companhia, mas foram obrigados a se conhecer. Ele ficou curioso com o semblante dela, parecia cansada e desanimada, não gostava de ver ninguém assim, mas não a conhecia, não queria se intrometer em problemas que não lhe diziam respeito. Ela estava tão pensativa, que sequer reparou no rapaz que estava sentado ao seu lado.
Ela esbarrou seu braço nele sem querer, e foi ali que o diálogo entre eles se iniciou. Foi por acaso que eles se conheceram ou ironia do destino, mas foi a conversa foi tão interessante, que eles sentiram a necessidade de se encontrarem novamente. Ele foi das poucas coisas boas que aconteceram no dia dela. Conhecê-la foi o único momento em que ele sorriu naquele dia tão atarefado.


Se eu pudesse, gostaria de ter um botão para desligar todos os sentimentos que estão dentro de mim. Queria esquecer toda a decepção e o quanto você me machucou. Queria poder apagar o rancor e a mágoa que me fazem tanto mal.
Se eu pudesse, queria esquecer você e tudo o que você me fez. Como eu gostaria de tentar parar de insistir em algo que não dá certo. Queria esquecer o quanto eu me esforcei para resolver a situação, enquanto você não se importou e simplesmente se afastou.
Se eu pudesse voltar atrás, sequer teria tentado conversar com você sobre seus erros. Não teria tentado me reaproximar de você no seu aniversário, porque só eu sei o quanto chorei quando você me agradeceu e disse que, apesar de eu estar fechada no meu casulo, você me amava e eu era importante pra você. Se eu sou tão importante, por que você faz questão de me machucar? Por que você não demonstra que é isso o que sente? Você pode falar que se importa, mas suas atitudes demonstram o contrário.
Se eu pudesse, não teria te ligado repetidas vezes e mandado diversas mensagens que não tiveram um retorno sequer. Você sequer me pediu desculpas, só tentou se justificar quando eu insisti por uma resposta.


Ela andava por Stars Hollow perdida em seus pensamentos, tinha acabado de sair da escola, onde tinha recebido a nota de uma prova em que não havia ido bem. Ouvira parte de uma conversa de duas garotas que estavam na mesma classe que ela, uma delas, Rory era seu nome, comentava que estava indo para Chilton, uma escola particular conceituada, e ela só conseguia imaginar o quanto essa garota tinha sorte. Era uma das garotas mais inteligentes que ela conhecia, sonhava um dia em ter a mesma inteligência.
Sentara em um banco qualquer, queria terminar de ler seu livro da Jane Austen antes de ir para sua casa, sabia que quando chegasse, sua mãe lhe daria diversas broncas por seu resultado na prova. Nunca havia tido uma boa relação com a mãe, a mesma implicava com tudo, mesmo o que havia de mais simples era motivo para que esta ficasse nervosa e a deixasse de castigo. Via de longe Lorelai, mãe de Rory, que parecia ser uma mãe tão incrível, que sempre compreendeu Rory e tentava fazer com que tudo desse certo. Mãe e filha pareciam ter uma relação de afeto, união, compreensão e amizade, algo que ela nunca teve com sua mãe. Lorelai é uma pessoa extremamente engraçada e sempre a fez rir nas poucas ocasiões em que se encontraram.


Ela era extremamente reservada, já havia sofrido demais em seus relacionamentos anteriores e se tornava cada dia mais fechada. Não acreditava que poderia encontrar alguém que lhe fizesse feliz. Não acreditava mais no amor. Achava que viveria sozinha, sem ter alguém com quem compartilhar suas vivências e experiências. Não tinha esperança de encontrar alguém. Toda vez que tentou confiar em alguém, foi enganada e partiram seu coração. Não tinha mais vontade de procurar, não valia a pena tentar novamente. O frio tomou conta de seu coração.
Ele sonhava em ter alguém ao seu lado, mas ainda não havia encontrado a pessoa certa para esse objetivo. Estava à procura do amor, já havia tentado outras vezes, não dera certo em nenhuma delas, mas ainda tinha esperanças e acreditava que logo as coisas dariam certo para si. Ele tinha pressa para que isso acontecesse. Seu coração era quente e cheio de amor para dar.


Sempre gostei da minha própria companhia e da minha presença. De ficar em silêncio refletindo sobre quem eu sou. Não consigo entender pessoas que não conseguem ficar breves instantes sozinhas, ao seu próprio lado. Como diria o filósofo Sartre: “Se você sente tédio quando está sozinho, é porque está em péssima companhia.” E eu não tenho do que reclamar da minha própria companhia.
Gosto de sair, de estar acompanhada, de me divertir. Gosto de conversar e de estar rodeada de pessoas. Mas também gosto de ficar sozinha com meus próprios pensamentos ou de sentar no chão da minha varanda, com as costas encostadas na parede, apenas para ouvir o barulho da chuva que cai lá fora.


Ela se lembrava de como era inocente quando era mais jovem. Na sua infância lia contos de fadas e acreditava que teria uma história de amor como os das princesas, encontraria alguém de forma inesperada, esse seria o amor de sua vida e viveriam felizes para sempre. Quando se apaixonou pela primeira vez, imaginou que o destino havia colocado a pessoa certa no seu caminho e naquele momento não teria mais com o que se preocupar.