Eu tenho andado distraída, sem entender o que se passa ao meu redor, com tanta vontade de desistir, partir sem dizer adeus. As lágrimas caem no travesseiro, sinto que ninguém vai entender o que se passa comigo. Não consigo explicar essa dor que me sufoca, perco o ar, não consigo respirar. Tenho certeza de que, se eu partisse, ninguém sentiria minha falta, não faria nenhuma diferença. 
Eu percebo que não posso contar com ninguém, nunca fui prioridade, talvez eu sequer seja uma opção. Me sinto cada dia mais sozinha, o mundo tem desmoronado ao meu redor e eu sinto apenas que estou no chão, sem forças para levantar.



Constantemente eu me sinto sozinha, como se não tivesse ninguém para conversar ou me apoiar. É um sentimento que não desejo pra ninguém, é algo doloroso, que aperta meu peito e sufoca minha alma. Eu não consigo explicar o que se passa dentro de mim, me vejo perdida entre pensamentos desconexos e uma confusão de sentimentos. Tento entrelaçá-los, para fazer com que façam sentido, mas é algo que parece ser impossível. Preciso de ajuda para lidar comigo mesma, mas não sei onde procurar. Sequer sei se vale a pena procurar ajuda, penso que talvez seja melhor deitar em minha cama e não acordar mais. Sei que ainda tenho muito o que viver, é o que todos dizem, mas tenho medo de como será meu futuro, pois meu presente tem sido solitário.

É engraçado o quanto as pessoas acham que sabem sobre minha vida, o que devo ou não fazer, o que é certo ou errado, parecem que querem saber mais do que eu. Julgam minhas atitudes através do que elas consideram moral ou imoral, acreditam que a opinião delas está acima da minha.
Quando corto o cabelo, dizem que ele ficava melhor quando estava comprido; se engordo alguns quilos, mandam eu me cuidar; estou solteira e insistem que eu devo encontrar alguém para namorar. São tantos exemplos, que me sinto cansada só de pensar.
É como se cada decisão que eu tomar não será boa o suficiente, sempre vai ter alguém para me julgar e tentar me convencer de que estou errada. Não consigo entender essa insistência em me fazerem acreditar que sou insuficiente. Não tenho nada de bom? Será que sou uma fracassada?


Eu cresci e tantas coisas mudaram. Sempre fui muito ingênua, acreditava em contos de fadas e no bem das pessoas. As decepções que encontrei pelo caminho, fizeram com que eu mudasse meus pensamentos. Não sou mais tão boba, e vejo tudo de forma diferente. Deixei de acreditar no príncipe encantado, mas agora também desacredito do amor. Eu sofria por ser tão imatura e confiar tanto nas pessoas, mas agora sofro por ter me tornado mais fria e não conseguir mais confiar.


Se eu pudesse, gostaria de ter um botão para desligar todos os sentimentos que estão dentro de mim. Queria esquecer toda a decepção e o quanto você me machucou. Queria poder apagar o rancor e a mágoa que me fazem tanto mal.
Se eu pudesse, queria esquecer você e tudo o que você me fez. Como eu gostaria de tentar parar de insistir em algo que não dá certo. Queria esquecer o quanto eu me esforcei para resolver a situação, enquanto você não se importou e simplesmente se afastou.
Se eu pudesse voltar atrás, sequer teria tentado conversar com você sobre seus erros. Não teria tentado me reaproximar de você no seu aniversário, porque só eu sei o quanto chorei quando você me agradeceu e disse que, apesar de eu estar fechada no meu casulo, você me amava e eu era importante pra você. Se eu sou tão importante, por que você faz questão de me machucar? Por que você não demonstra que é isso o que sente? Você pode falar que se importa, mas suas atitudes demonstram o contrário.
Se eu pudesse, não teria te ligado repetidas vezes e mandado diversas mensagens que não tiveram um retorno sequer. Você sequer me pediu desculpas, só tentou se justificar quando eu insisti por uma resposta.


Você apareceu e me encantou logo no primeiro momento. Sua maneira de falar comigo, o jeito carinhoso com que você me tratava, parecia ser alguém diferente, alguém que valia a pena. Você me falava sobre seus sofrimentos, que não tinha sorte no amor, que achava que não daria certo com ninguém. Eu acreditei em você, quis te consolar. Você me tocava com suas palavras, fazia com que eu quisesse estar perto de você. Quando você me abraçava, não queria mais sair de seus braços. Parecia algo mágico. Parecia que a felicidade, enfim, estava batendo na minha porta.


Ela acreditava que tudo estava bem, não tinha do que reclamar. Percebia um bom relacionamento com todos a sua volta, sua carreira ia muito bem, era sempre elogiada. Tudo parecia estar no trilho certo. Mas isso era bom demais para ser verdade. Algo tinha que dar errado no meio do caminho. E ela desmoronou. Estava no topo e simplesmente caiu. Uma queda que lhe provocaria inúmeros hematomas e cicatrizes.



Incontáveis vezes ela havia tentado lhe explicar o que estava acontecendo em seu coração, todas as suas inseguranças e seus medos. Ela sabia que o relacionamento entre os dois estava fadado ao fracasso, e ele sempre dizia que o sentimento era mais forte e que isso os uniria para sempre. Mas ela sabia que não era assim, porque ele estava se afastando, ele não dava importância para o que havia de mais simples na vida dela e ela não podia mais contar com ele. Os dois sempre se apoiaram um no outro e isso não acontecia mais, ela sentia que toda vez que pedia atenção para ele, estava se humilhando, como se a pouca atenção que ele dava para ela fosse apenas uma obrigação e ela não aguentava mais essa situação. Ela tinha duas opções, continuar nesse relacionamento apesar das adversidades ou terminá-lo e aprender a conviver apenas com sua própria companhia.




Depois de vivenciar uma crise atrás de outra, resolvi recuar. Senti a necessidade de observar o que acontecia ao meu redor. Analisar as pessoas que me cercam e as situações que estou vivendo. Eu precisava disso: parar um pouco. Parar de me preocupar. Parar de querer sempre ter o controle da situação. Essa necessidade de querer que as coisas aconteçam da forma como eu desejo estava me deixando louca. A frustração, a ansiedade e a tristeza, estavam tomando conta de mim. Não podia mais suportar isso. E eu parei.
Deixei todos os sentimentos negativos largados em um canto e resolvi refletir sobre o que estava acontecendo. Foi difícil no começo. Dei-me conta de coisas que não queria aceitar (e talvez ainda não aceite). Mas agora eu consigo respirar aliviada. Respiro aliviada porque agora entendo melhor o que está acontecendo e posso seguir em frente. Estou lidando melhor com tudo isso, aceito que não posso ter controle sobre tudo e mudei minha forma de agir naquilo que foi necessário. É incrível que, ao fazer isso, tudo mudou. Eu mudei, minha relação com as outras pessoas mudou, minha vida mudou. Mudou para melhor.




Me sinto em um turbilhão de sensações, acho que estou em crise existencial. Mas não faz sentido eu vivenciar uma crise justamente nesse momento da minha vida, sou tão nova, e ao mesmo tempo, sinto que sou tão velha. Aos vinte e poucos anos é como se nada fizesse sentido. Se já estou assim agora, imagina quando chegar aos trinta? Eu quero tudo, vivenciar a vida na maior intensidade possível, aproveitar os estudos, o trabalho, as festas, as viagens, tudo o que a vida puder me oferecer; mas ao mesmo tempo não quero nada, quero apenas dormir, porque sinto como se não tivesse forças para continuar e não vou ter tempo para alcançar tudo o que desejo. Sinto como se precisasse correr contra o tempo para fazer tudo o que preciso.
Tenho a sensação de que todos a minha volta estão com uma vida melhor, mesmo que estejamos na mesma faixa etária. E não sei o que há de errado. Vejo antigos colegas de escola se casando e percebo que tudo deu errado na minha vida amorosa. Não que meu objetivo de vida seja o casamento, mas sinto que a vida poderia ser melhor se eu tivesse encontrado a pessoa certa pra mim, poderia ter alguém para compartilhar a vida, mas eu não tenho. Como os outros conseguem viver um bom relacionamento, menos eu? Será que eu tenho algum problema? Qual o sentido de ainda não ter encontrado uma boa pessoa? Provavelmente, o problema sou eu. Vejo amigas com seus lindos bebês, o que me desperta a vontade de ser mãe, mas fico na dúvida se seria boa nisso. Todos os que conheço fazem viagens melhores do que eu e parecem viver situações muito mais interessantes do que eu. É como se a vida de todos estivesse dando certo e eu estivesse parada no tempo.