Ela andava por Stars Hollow perdida em seus pensamentos, tinha acabado de sair da escola, onde tinha recebido a nota de uma prova em que não havia ido bem. Ouvira parte de uma conversa de duas garotas que estavam na mesma classe que ela, uma delas, Rory era seu nome, comentava que estava indo para Chilton, uma escola particular conceituada, e ela só conseguia imaginar o quanto essa garota tinha sorte. Era uma das garotas mais inteligentes que ela conhecia, sonhava um dia em ter a mesma inteligência.
Sentara em um banco qualquer, queria terminar de ler seu livro da Jane Austen antes de ir para sua casa, sabia que quando chegasse, sua mãe lhe daria diversas broncas por seu resultado na prova. Nunca havia tido uma boa relação com a mãe, a mesma implicava com tudo, mesmo o que havia de mais simples era motivo para que esta ficasse nervosa e a deixasse de castigo. Via de longe Lorelai, mãe de Rory, que parecia ser uma mãe tão incrível, que sempre compreendeu Rory e tentava fazer com que tudo desse certo. Mãe e filha pareciam ter uma relação de afeto, união, compreensão e amizade, algo que ela nunca teve com sua mãe. Lorelai é uma pessoa extremamente engraçada e sempre a fez rir nas poucas ocasiões em que se encontraram.


Ser feminista me engrandece enquanto pessoa. Consigo perceber a sociedade de forma muito mais consciente. Tenho uma noção muito mais clara quanto ao sistema de opressão que vivemos atualmente. Tenho apenas que agradecer aos movimentos feministas pela conquista de direitos femininos. Mas a luta ainda não acabou. Muito ainda há de ser conquistado. Vivemos em uma sociedade teoricamente igualitária. Mas na prática não é bem assim que as coisas funcionam. Sou julgada pela roupa que me visto. Sou criticada pela quantidade de homens com quem me relaciono. Ao exercer determinada função tenho chances de receber remuneração inferior a um homem que faz o mesmo que eu. Não posso sair sozinha à noite, pois existe a possibilidade de ser estuprada e a sociedade dirá que a culpa é minha. Se engravidar, não posso decidir se quero ou não ter filhos, o Estado não me deixa decidir sobre meu próprio corpo. E se estiver em um relacionamento afetivo e sofrer violência doméstica? Será que a lei vai realmente me proteger?





Lembro de quando te conheci e do quanto você parecia ser protetor comigo, pelo menos era isso que eu achava. Eu me sentia protegida e segura pela forma como você me tratava, achava que suas atitudes eram por se importar e querer cuidar de mim. Será que eu errei esse tempo todo?
Foi em uma balada que nos conhecemos. Você chegou em mim e me chamou de gostosa. Disse que meu vestido te provocava e que se pudesse me comeria ali mesmo. Achei que você estivesse bêbado e não vi isso como uma ofensa. Até mesmo porque estou acostumada nesse tipo de abordagem. Tentei sair de perto, mas você me agarrou, me beijou à força e colocou a mão por dentro do meu vestido. Consegui me desvencilhar, fiquei com medo e fui embora.
Posteriormente nos encontramos em diversas festas e você sempre criticava o fato de eu estar bebendo. Dizia que era feio uma mulher estar sempre com um copo de bebida na mão, que eu não podia fazer escândalos, que isso era errado. Mas você fazia o mesmo. Então qual é o problema em eu me divertir?
Mas achei que você pudesse ter percebido o erro que cometeu quando nos conhecemos e estivesse tentando me proteger de alguma forma. E aceitei quando você me convidou para sair.
Eu já havia ficado com muitos outros homens antes de te conhecer e você me criticava por isso, dizia que eu não poderia ser “fácil”, que eu tinha que “me dar o valor”. Eu não conseguia entender o que havia feito de errado, mas você me fez acreditar que tinha razão e eu me sentia culpada por isso, me sentia culpada por ter sido tão “vagabunda” até então. Você dizia que esse meu comportamento demonstrava que eu era uma mulher apenas para comer e não para ter um relacionamento sério. Mas o engraçado é que nós transamos no nosso primeiro encontro e foi uma noite maravilhosa, tanto para mim quanto para você. Então o que havia de errado nisso? E se a regra valia pra mim, porque não valia para você?
Você criticava minhas roupas. Dizia que meus vestidos eram curtos demais. Que eu estava querendo provocar os homens me vestindo do jeito que me vestia. Que eu não podia ser assim, que eu não podia me oferecer para os outros. E que se algo acontecesse comigo, a culpa seria minha.