Eu sempre acreditei que poderia mudar o mundo, que minhas ações poderiam fazer diferença e o mundo se tornaria um lugar melhor por minha causa. Eu sempre tive esse ideal: mudar o mundo.
Eu sempre tive esse propósito: fazer diferença. Com o tempo fui percebendo que as coisas não funcionavam do jeito que eu imaginava. E isso fez com que eu começasse a me frustrar, fui me fechando no meu próprio casulo, pois me considerava inútil, já que aquilo que eu desejava não estava dando certo.




Eu não lembro a primeira pessoa que me decepcionou, também não lembro qual foi a situação ou como a superei. Talvez eu não lembre porque a vida me ensinou que guardar mágoas das pessoas só vai fazer mal a mim mesma e eu aprendi que o perdão é necessário, não apenas para a pessoa que o receba, mas principalmente para a pessoa que o dá. Quando a gente perdoa, ficamos em paz, e aquilo que nos machucava já não tem mais importância. Mas nem sempre é fácil perdoar, às vezes demora para que a gente consiga superar o mal que nos fizeram.




Eu entendo o que está acontecendo com você, eu já passei por isso. Eu lembro de cada vez que me machucaram, que pisotearam meu coração e que eu achei que não fosse sobreviver. Meu coração está cheio de marcas, de cicatrizes e de remendos, mas ele ainda bate, ainda insiste em tentar de novo. Eu sei o que você está passando e eu entendo você agir assim. Você está quebrado e tem medo de se entregar novamente. É compreensível. 





Você foi se aproximando aos poucos de mim, me envolveu em seus braços e me beijou intensamente. Naquele momento eu soube o que você queria, era apenas desejo, mas era mais forte do que nós. Você conseguiu me desarmar com apenas um olhar, e eu não conseguia entender o que estava acontecendo, era a primeira vez que eu sentia um desejo tão ardente.
Você sorria e me deixava sem graça. Me despia com o olhar e me deixava ruborizada. Eu tentei escapar de você, mas o meu corpo pedia pelo seu. Não me importava que fosse por apenas aquela noite, porque eu queria você, precisava de você. Era uma sensação diferente de tudo o que eu havia vivenciado. Já havia estado com outros homens, mas o meu desejo por você era maior.
Você deslizava a sua mão pelo meu corpo e seu toque me arrepiava. Sua língua brincava com a minha e a noite contigo foi melhor do que eu poderia imaginar. Você me envolveu, me fez ser tua por aquela noite. Costumo ter certos pudores no primeiro encontro, mas com você não consegui resistir. Você deixou claro que me queria e eu não me senti usada, pelo contrário, me senti livre, porque agi espontaneamente e sem amarras.




Eu estava perdida na pista de dança, todos percebiam que eu não sabia dançar. Mas eu queria apenas me divertir e não me importava com o que os outros poderiam pensar. Então, você apareceu do outro lado da pista e eu percebi que você me olhava. Você ria e parecia achar engraçado o meu jeito estranho de dançar. Aos poucos você foi se aproximando, me pegou pela mão e me levou para perto de você. O seu toque me arrepiou.
Logo começou uma música lenta e eu pensei em me desvencilhar de você e sair dali, mas você me abraçou mais forte e me segurou com firmeza pela cintura, foi me conduzindo pelo salão, guiando meus passos. Seu rosto próximo do meu, você sussurrava no meu ouvido, mas eu não conseguia entender o que me dizia, tamanho o atordoamento que me provocou.